Domingo, Novembro 23, 2008

C'est la vie

A vida é assim...

Um dia de um jeito, outro de outro. Ações certas, erradas, algumas, assim como palavras, que mudam completamente nosso caráter, mesmo já tendo mostrado que somos melhores que isso.

É complicado achar e pensar que podemos ser sempre o que desejam que sejamos. Eu sou eu, sem tirar nem pôr, alguém que apenas quer ser feliz. Meu caráter se construiu firmemente diante de uma postura pacífica. Sem gerar ou querer violência, apenas apreciador das boas energias e da tão querida paz.

As vezes dizemos algo que não deveria ter sido dito naquelas palavras. Mas e se fosse dito de outra forma, teria um sentido melhor? Igual? Ou pior?

A indelicadeza de procurar um prazer, seja ele na conversa, na brincadeira, na carne ou em qualquer outra forma proporcionável pode existir. E aconteceu comigo.

Enfim, mudei minha imagem diante de alguém por besteira. Não sei como agir, perdi a confiança em mim mesmo e me sinto um peixe fora d'água. Poderia ser diferente, Eu poderia ser mais do que já sou. Eu poderia ter debruçado na janela, ter deixado o tempo passar e me dizer que sou estúpido. Eu poderia ter ido no terraço e ter gritado ao mundo. Eu poderia ter caído num poço sem fundo.

Mas eu vivo. Ainda pouco, inconsciente e torto. Mas vivo cambaleante e errante. Vivo a vida incosntante. Vivo porque viver me diz como ser. Me traz dor e amor. Me ensina a perecer.

Assim é a vida...

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

O evento do dia

Fazendo uma alusão ao post anterior, fica aqui um vídeo muito bem feito que mostra o evento que é abrir nossas encomendas que chegam pelo correio. Aquele produto que compramos há mais de mês ou meses. Uma espera sufocante dessas, seguida de muita ansiedade deveria ser melhor comemorada.

Gustavo Gaspar

Domingo, Setembro 21, 2008

O sono involuntário

Os dias hoje em dia parecem ser tão longos. Passam se arrastando pelas beiradas. Não que eu seja velho o suficiente para destacar de uma forma abrangente como quem viveu nos anos 50, 60 e 70. Mas sou neto e filho, já ouvi muitas histórias e elas são contadas com riqueza de detalhes. Mesmo sendo passagens simples da vida, possuem mais conteúdo que os causos de hoje.  O divertimento era analógico e não digital, se assim me permitem dizer. Era sair de casa com seu peão na mão e ir jogá-lo rua a fora. Era correr atrás de pipa sem tanto perigo como há por aí, podendo se perder pelo mato com amigos e quem sabe encontrar algo divertido para se contar no dia seguinte. Era sorrir apenas por chutar uma bola e fazer um gol, seja num campo de terra batida ou num de grama gasta. O importante era estar ali junto com todos e se divertindo pra valer até cansar. Jogar bola de gude e vibrar ao ganhar algumas mais pra coleção. Colar figurinhas no álbum e pular de alegria a cada novo pacotinho aberto. Contar até cem e começar a procurar os amigos pelo pátio do prédio ou na rua mesmo, achando um por um no pique-escondo. Enfim, brincar era mais divertido. Brincar era viver e ser criança era um evento. Com o passar dos anos esse divertimento foi se moldando, nos fazendo ficar presos dentro de casa com nossas novas máquinas de diversão sintética.

Acredito que a importância dessas mudanças são sim significativas para todos nós, mas aconteceu de uma forma muito rápida. Muita informação ao mesmo tempo, muitas novidades. A euforia se tornou algo normal. Ter quase um ataque de nervos absorvendo e absorvendo nos deixou paranóicos e mais submissos à cegueira coletiva. Esquecemos dos princípios e vamos com voracidade em cima da tão suculenta tecnologia.

Só espero que logo as coisas diminuam de velocidade, pois o avanço é rápido demais e nossos dias acabam sendo arrastados perante tanta inovação irregular que na verdade nos prende a nós mesmos. A pressa da evolução pode levar a perdas significativas, caminhando para um cerco sem fim, terminando na ironia de uma involução mais cínica de todas. Onde iremos sucumbir a um sono profundo e nunca mais acordar.

Gustavo Gaspar

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Aos poucos a gente esquece...

Aos poucos a gente esquece da infância. Nem tudo de uma vez, mas as coisas vem e tomam o lugar das lembraças que não deveriam ser esquecidas.
Aos poucos a gente esquece das burradas que já fizemos, dos erros que cometemos. Não adianta dizer: "Nunca mais farei isso, me perdoa?" Um dia a gente acaba fazendo de novo, e nem sempre é por querer.
Aos poucos a gente esquece das mentiras que dissemos e das mentiras que nos foram ditas. As verdades tomam conta delas, e mesmo a pior dor vinda com uma mentira é trocada por uma alegria vinda através de uma verdade.
Aos poucos a gente esquece de pessoas que acabam diminuindo o contato conosco. Muitas vezes nem sabemos o porque elas fazem isso, muitas vezes nem existe um motivo. Apenas seguem em frente com suas vidas e nos deixam fora dela, mesmo que tenhamos sido importantes em algum determinado período.
Aos poucos a gente esquece dos nossos sonhos. Vamos vivendo, vivendo, mudando, mudando, e os sonhos mudam, deixando pra trás aquele primeiro que tivemos, tão forte quanto o atual a se perder no tempo mais uma vez.
Aos poucos a gente esquece que fizemos algo bom. Também esquecemos que fizemos algo ruim. O tempo é tão nosso amigo que leva essas lembranças embora. O tempo muda sentimentos, transformando amor em indiferença, tristeza em alegria, prazer em dor, etc. etc. etc.
Vivemos tanto, passamos por tantas coisas que é engraçado no fim perder tudo isso. Fingir que está tudo bem quando lembramos de algo, um tanto distorcido pelo tempo, e não conseguir entender como aconteceu, porque aconteceu. Aliás, é impossível entender. Nada é contado por completo, nada é entregue do início ao fim. Somos sempre um, que sabemos nossa parte da história e apenas metade das outras pessoas.
No fim, tudo passou de uma brincadeira. As vezes gostosa, as vezes ruim. Tudo no fim é esquecido, deixado de lado, perdido no tempo... Como lágrimas na chuva.

"All those moments will be lost in time... Like tears in the rain" - Roy Batty/Blade Runner

Gustavo Gaspar

Terça-feira, Agosto 12, 2008

A mesma tecla

O maior defeito da humanidade é insistir em um mesmo erro. Como eu faço parte dessa massa, não poderia ficar para trás. Errei e insisti em tentar mais uma vez, provocando novamente um erro significativo em minha vida. Não provoquei o erro durante o processo, mas errei em começá-lo.
Desde então me dei conta que com essa insistência me foi retirado um dom que eu possuía. Eu conseguia enxergar mais além e ver possibilidades, acreditar que poderia dar certo se eu realmente quisesse assim, mas não penso mais dessa forma. Um vaso pode se quebrar inúmeras vezes, de diversas formas e ainda assim ser colado, mesmo que alguns pequenos pedaços lhe faltem, porém, existem quedas que espalham muitos pedaços pelo chão, em partes muito pequenas, impossibilitando-o de ser colado mais uma vez. E, infelizmente, isso aconteceu comigo. Da primeira vez havia sido uma queda grande, mas ainda assim não suficiente para fazer tanto estrago. Da segunda vez, a queda nem foi tão grande, eu diria até que foi bem pequena, mas os danos causados foram muito maiores. Muitos pedaços se soltaram, muitos não se acharam e os buracos ficaram enormes. O corpo que eu era, já não sou mais. Meus pensamentos e certezas já não são os mesmos. Mesmo acreditando ainda ser possível conseguir o que quero, seja quando for, tudo mudou. O pior disso tudo é que não aconteceu diretamente por mim, e sim por pessoas que se encontram em muitas dúvidas quanto ao que querem e ao que acreditam, me fazendo aos poucos parecer mais com eles. No fundo, ainda permaneço o mesmo. Não irei errar mais dessa forma, pois a precaução me trouxe limites. Só sei que o maior erro a se fazer é viciar-se nela:
A mesma tecla; apertando-a incansavelmente até que nos estraçalhemos de vez.

Gustavo Gaspar

Quarta-feira, Abril 30, 2008

A sincera verdade

Diálogo tirado do seriado Dawson's Creek.
Mitch, pai de Dawson, havia falecido e Gale, mãe de Dawson, conversava com "Grands".



Grands - Que coisa estranha fazemos

Gale - O que?

Grands - Apaixonar-nos. Dividimos a vida com alguém, nos entregamos de tal forma que perder esse alguém pode nos destruir. Isso é uma loucura.

Gale - Tem razão, é uma loucura.

Grands - Então por que fazemos isso?

Gale - Não temos opção.

A pura verdade.

Gustavo Gaspar

Terça-feira, Abril 29, 2008

Mini-biografia alterada

A vida em uma noite


Era noite de verão, quente como todas as outras. Um jovem andava por um caminho cercado de uma densa mata brejeira. Mantinha as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Seu caminhar era leve, por vezes torto e discreto. Chegou até uma pequena ponte de acesso ao lago, onde parou por um instante e ficou contemplando a corrente da água, o reflexo da lua e o piscar dos vagalumes. Suspirou e resolveu sentar-se. Encostou a cabeça em uma das quinas do peitoral da ponte e assim permaneceu por horas.

De onde vem a dor? Essa que me consome. De onde vem o pesar de cada dia? Aquele que me transporta para dimensões tão diferentes. Pra onde vai tanta esperança de um dia ter ela de volta? E pra onde vai tanto sofrimento de nunca mais tê-la?
São tantas perguntas sem respostas. São tantas incógnitas em nossas vidas, mas a vida é bela. Ela nos faz sorrir e chorar, nos dá a alegria e a tristeza, nos faz cair e levantar. As vezes nos dá isso tudo de uma vez só, e sem aviso prévio. É uma notícia que chega derrepente, é um gesto que se faz do nada, é uma palavra, um olhar, uma expressão sequer que constrói e destrói.
Já cansei de fazer planos, de imaginar o futuro. Também já cansei de viver o presente sem me importar com o que está por vir. E da mesma forma já me prendi ao passado, de uma forma tão grande que cheguei ao ponto de ficar louco. A quem quero enganar? Eu sou louco. Louco por alguém que não me quer. Louco por alguém que um dia me disse coisas lindas, e as esqueceu. Louco pelo amor que há dentro de mim e que havia dentro dela. Louco por não me desprender disso, não que eu queira, ou talvez, justamente porque eu quero. Quero ser livre e viver a liberdade, tendo alguém que sinta o mesmo que eu, sinta-se livre e que não tenha medo de amar.
O que faz com que amor acabe? Muitas respostas podem ser aplicadas a essa pergunta, mas, na verdade, nenhuma delas justifica a perda. Sei que quando amo ultrapasso barreiras e me transformo em um sonhador, capaz de fazer tudo pra que nada atrapalhe o que sinto. E por causa de tudo isso, me encontro aqui, falando comigo mesmo, em silêncio, desfrutando da única coisa que me resta na vida. A solidão e meu bom e velho companheiro. Eu mesmo.

Numa casa próxima dali, uma jovem estava sentada na varanda de sua casa. De frente para o mesmo lago e observando os mesmos vagalumes piscarem. Dentro da casa pessoas assistiam televisão, algum programa do horário nobre. A cabeça dela estava muito ocupada e confusa. Ela então levantou-se e se pôs a caminhar. Perto de uma outra ponte de acesso ao lago ela cruzou os braços e entortou a boca, suprimindo algo que a fazia mal por dentro. Percebeu que logo ali ao lado existia alguém, sentado e olhando a água. Aproximou-se e viu um jovem angustiado e jogado, sem perspectiva alguma.

"Olá." - Ela disse.
O jovem virou-se e pôde ver quem estava chegando perto dele.
"Oi..." Respondeu. "Boa noite."
"Boa noite."
Um silêncio consumiu o ambiente e a jovem sentou-se ao lado do jovem, também olhando o mar.
"Uma noite agradável, não?" Ela disse.
"Não diria isso." Ele respondeu com a voz triste.
"Por que?"
"A noite está linda, mas não se tornou agradável pra mim."
"Desculpe-me, não queria atrapalhar seu silêncio."
"Não se desculpe. Pensei em ficar sozinho, achando que talvez as coisas se resolveriam, mas já estou sentado aqui há uma hora e nada mudou."
"Contou o tempo?"
"Não, mas de um tempo pra cá venho sentido-o passar de uma forma perceptível, como se todo o resto fosse inútil."
"Acho que entendo o que você quer dizer."
"Entende?"
"Talvez."
"E o que lhe faz pensar isso?"
"Perdas."
O jovem não soube o que responder.
"Tudo bem, já faz algum tempo. Mas todos os dias eu sinto a ela. Minha mãe se foi, deixou-me sozinha nesse mundo e foi para outro." Ela completou.
"Não pode culpá-la por isso."
"Não a culpo, apenas me sinto mais sozinha do que nunca. Existe um buraco em meu peito."
"No meu também. Minha perda foi por alguém que decidiu me deixar."
"Amor?"
"Sim. Amor."
"Nunca passei por isso."
"Nem queira."
"Lhe digo o mesmo, em relação à minha perda."
"Não quero, mas sei que esse dia um dia irá chegar."
"... É verdade."
"Por isso lhe disse que não deve culpá-la, ou sentir-se sozinha por isso. Não foi culpa dela deixar você sozinha, aliás, você não está sozinha. Não tem outras pessoas?"
"Na verdade não. Vivo com meu pai, que é indiferente à isso, bebe o dia todo e não liga mais pra nada. E meus irmãos moram fora."
"Por que não vai morar com eles?"
"Não quero atrapalhar suas vidas. Quero seguir a minha, mesmo que demore um pouco."
"Sua perda é dolorosa e eu reconheço isso. Mas tente sorrir. Você ainda está aqui e muitas coisas boas ainda estão aí pra serem vividas."
"Estou tentando."
"Mas, me prometa uma coisa?"
"O que?"
"Nunca abandone alguém. E caso ache uma pessoa que você acredite que valha a pena amar pra sempre, ame-a. Custe o que custar, dê as mãos e nunca deixe-a ir embora."
A jovem sorriu. Olhou nos olhos dele e estendeu a mão.
"Quer dar uma volta?"
O jovem a olhou e sorriu de volta.
"Acho que é uma boa idéia"
Pegou na mão dela, e então levantaram-se. Saíram juntos e foram longe a sumir na escuridão.

Mini-biografia alterada de um capítulo da vida, simbolizado em um momento, em uma noite de verão.

Gustavo Gaspar